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Cortes de investimentos provocam desastre cultural na Espanha

· Cultura,Espanha,Notícias

Um relatório recém-publicado mostra que a crise econômica e os cortes de investimentos em cultura provocaram um desastre na terra de Cervantes, Picasso e Miró. O “II Relatório sobre o estado da cultura na Espanha 2014: a saída digital”, apresentado na semana passada pela Fundación Alternativas, mostra que os gastos dos espanhóis com cultura caíram 27,7% em cinco anos, passando de 17 bilhões de euros em 2008 para 12,2 bilhões de €2013.00, e faz um diagnóstico sombrio da situação da cultura no país.

Se a primeira edição do relatório, publicada em 2011, afirmava que a cultura espanhola estava “na encruzilhada”, a edição mais recente afirma que o quadro evoluiu para as “piores perspectivas imagináveis” nos últimos três anos. “Os dados e os indicadores desta síndrome são tão preocupantes que deixam pouco espaço para o otimismo em todos os parâmetros que possamos analisar”, escreve Enrique Bustamante, professor de Comunicação Audiovisual e Publicidade na Universidade Complutense de Madri e um dos pesquisadores responsáveis pelo relatório.
Os números apresentados por Bustamante mostram que a crise da cultura espanhola é generalizada: entre 2009 e 2013, os teatros tiveram uma queda de público de 34,3%, os cinemas, de 28,9%, e as vendas da indústria fonográfica despencaram 56,2%. A crise não poupou nem grandes símbolos da cultura espanhola, como o Museu do Prado, em Madri, que teve um prejuízo de 6 bilhões de euros em 2013, e o Instituto Cervantes, que registrou perdas de 19,1 bilhões de euros no mesmo período, segundo o relatório.
Esses números, no entanto, não se devem apenas à queda da demanda cultural provocada pela crise econômica que castiga a Espanha desde 2008, afirma Bustamante. Segundo ele, as políticas públicas voltadas para a cultura têm uma importante parcela de culpa na situação desastrosa vivida pelo setor. Em setembro de 2012, o governo central espanhol aumentou o imposto sobre transações culturais de 8% para 21%. Além disso, o governo central reduziu pela metade os investimentos em cultura entre 2008 e 2012. O resultado aparece nos números apresentados no relatório.
Para piorar, ao ser eleito, em 2011, o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), prometeu que seu governo estimularia o financiamento privado à cultura por meio de uma nova lei de mecenato. A promessa, no entanto, não foi cumprida, e o financiamento privado não tem sido capaz de fazer frente aos cortes nos investimentos públicos. De acordo com estimativas apresentadas por Bustamante, o montante de recursos privados destinados à cultura na Espanha teria caído de 9,8 bilhões de euros em 2003 para 2 bilhões de euros em 2010.
O relatório está disponível para download, na íntegra, no site da Fundación Alternativas: http://www.falternativas.org/la-fundacion/documentos/libros-e-informes/ii-informe-sobre-el-estado-de-la-cultura-en-espana-2014-la-salida-digital.

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