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Jogos Parapan-Americanos: sobram medalhas, falta visibilidade

· Notícias,Esporte

Nunca num Parapan-Americano um país ganhou tantas medalhas – e tantas de ouro – como o Brasil na última edição dos jogos, em Lima, encerrados em 1º de setembro. Os brasileiros estiveram 308 vezes no pódio, 124 delas no lugar mais alto, superando uma marca que durava 20 anos (quando os mexicanos, em casa, conseguiram 121 ouros e 307 pódios).

Como toda competição esportiva de alto nível que envolve pessoas com deficiência, o Parapan-Americano produziu imagens tocantes e reuniu mulheres e homens em uma coleção de histórias de superação – um coquetel que costuma agradar em cheio aos patrocinadores. Mas por quê, então, poucas marcas apostam na área?

“O esporte paralímpico ainda padece de pouca visibilidade. A mídia dá pouca atenção”, observa Laura Fonseca, analista de atendimento da JLeiva. “Há sempre melhorias de gestão a serem feitas no esporte nacional, mas está mais do que na hora de o quadro começar a mudar, como de certa forma está mudando com o futebol feminino”, compara.

Grande parte do dinheiro é estatal

A grande maioria dos recursos do paradesporto vem dos cofres públicos, por meio da Lei Agnelo/Piva, que destina 2,7% da arrecadação bruta das loterias federais, descontados os prêmios, para os comitês olímpico e paralímpico. A segunda maior parcela vem do patrocínio da Caixa Econômica Federal, por meio das Loterias Caixa, que apoiam 11 modalidades (futebol de cinco, goalball, tênis de mesa adaptado, tiro esportivo adaptado, rugby em cadeira de rodas, bocha adaptada, esgrima em cadeira de rodas, vôlei sentado, paratletismo, para-halterofilismo e paranatação). O contrato, assinado em 2017 e válido até 2020, prevê investimento de R$ 95 milhões – R$ 25 milhões desembolsados em 2019, com foco no Parapan.

Quais empresas apoiam?

A Toyota patrocina o Comitê Paralímpico Brasileiro, que também tem apoio de Ajinomoto e Semp TCL. Em comparação, o Comitê Olímpico Brasileiro tem patrocínio de Estácio de Sá e Peak, apoio de Aliansce Sonae, Travel Ace, BRW, Ajinomoto e Max Recovery – além de verba de patrocínio internacional repassada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Só em 2018, o COB recebeu R$ 86 milhões em patrocínio.

A Braskem patrocina o paratletismo. Há também acordos específicos com atletas – é o caso da Visa, que investe no nadador Daniel Dias, vencedor de seis ouros em Lima e de todas as 33 provas que disputou em Parapans.

Oportunidade para investir

No total, o montante é muito reduzido, avalia Sileno Santos, técnico da seleção brasileira masculina de basquete de cadeira de rodas e diretor da Associação Desportiva para Deficientes. “O grosso do investimento vem do poder público, pois o momento econômico não é bom e as empresas acabam priorizando esportes que trazem maior visibilidade”, aponta. O Pan-Americano de Lima foi exibido na TV aberta (Record); o Parapan, só em canais fechados.

O recorde histórico no Peru, contudo, pode ajudar a melhorar o cenário, avalia Santos. Ele destaca que é uma oportunidade de vincular as empresas a valores sociais. “São muitas histórias de superação no esporte paralímpico. Ao apoiar uma modalidade, deve-se pensar no seu potencial de transformar a vida das pessoas e a própria sociedade.”

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