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Mundial de futebol feminino: o começo de uma nova fase?

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Nunca a Copa disputada por mulheres alcançou tanta visibilidade e apresentou de forma tão frontal as desigualdades enfrentadas pela modalidade

“A melhor Copa Feminina de todos os tempos, a melhor da história.” O entusiasmo do presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao fazer um balanço da recém-encerrada Copa do Mundo de Futebol Feminino se justifica. O evento, realizado entre junho e julho na França, bateu recordes de público e audiência.

Será possível dizer que a modalidade entra em uma nova fase? Pode-se falar em um “antes e depois”?

Média de público cresceu
 

A taxa de ocupação dos estádios chegou a 74%, com uma média de 20 mil torcedores por jogo. É um número expressivo — a média do Brasileirão do ano passado, a melhor desde 1987, foi de 18.821 pagantes por partida.

“Globalmente, é natural que o futebol feminino evolua tecnicamente e a quantidade de praticantes aumente. Esses fatores têm impacto direto na audiência e no público nos estádios”, observa o coordenador de atendimento a empresas da JLeiva, Tiago Porto.

Contudo, esse número está distante da realidade do Mundial disputado por homens: na Copa da Rússia (2018), em que a taxa média de ocupação ficou em 98%.

A audiência também cresceu

Na TV, os números também se revelaram animadores. Foi a edição mais assistida de todos os tempos, ultrapassando a casa de 1 bilhão de telespectadores. O recorde numa única partida (35,2 milhões) foi registrado justamente num jogo do Brasil: as oitavas de final entre Brasil e França. Esta, aliás, foi a primeira vez que a TV aberta brasileira transmitiu todos os jogos da seleção.

Mesmo diante de um indiscutível avanço, os patamares ainda são inferiores aos do Mundial masculino. Na Copa da Rússia, a audiência geral foi de mais de 3,5 bilhões.

A premiação cresceu, mas é muuuuuuito menor que na Copa masculina

A Copa masculina enche mais os estádios e tem audiência maior. Mas, mesmo levando em conta o público maior, a diferença na premiação é muito desproporcional!

A premiação distribuída pela Fifa dobrou na Copa da França e atingiu US$ 30 milhões. A seleção campeã, dos EUA, recebeu US$ 4 milhões. Mas um abismo ainda separa os valores dados a elas e eles. No Mundial da Rússia, a ocupação dos estádios foi 32% maior que no da França e a audiência na TV foi 250% maior. Mas o total de prêmios foi 1.233% maior – isso mesmo, mais de mil por cento: chegou a US$ 400 milhões. A seleção masculina campeã embolsou 850% a mais, US$ 38 milhões – ou seja, mais que toda a premiação entregue às mulheres.

Não por acaso, essa desigualdade, que se reflete também nos salários, nos patrocínios e nas condições de trabalho, foi lembrada pela craque Marta durante o evento. E também pela norte-americana Megan Rapinoe, eleita a melhor jogadora da Copa.

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Afinal, foi um divisor de águas?

“Se pensarmos em audiência e no tanto que se falou da Copa do Mundo feminina, definitivamente foi um divisor de águas, porque nunca havia se comentado tanto, nunca havia se mostrado tantos jogos, e a audiência respondeu muito bem. No Brasil, foram só recordes”, diz a jornalista Renata Mendonça, cofundadora do projeto Dibradoras.

Ela observa que a visibilidade é uma questão central. “Sem ela, não é possível mudar a realidade de nenhum esporte. O que faz mudar é justamente ter a imprensa acompanhando”, diz, destacando que essa é uma maneira de jogar luz nos problemas e de cobrar por soluções.

Para o coordenador de atendimento a empresas da JLeiva, esse fator, aliado ao discurso sobre diversidade e equidade encampado por algumas jogadoras, foi extremamente relevante para que o mundial ganhasse mais atenção.

E o Brasil?

Por aqui, o cenário se mostra ainda mais desafiador. “A realidade do futebol feminino aqui está muito distante da de outros países. O Brasil parou no tempo, não fez nada enquanto todo mundo estava fazendo. Acho que esse é o momento da virada”, avalia Renata Mendonça.

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