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O frio faz as pessoas irem a mais atividades culturais?

· Cultura,Pesquisas e Estudos,São Paulo,Cultura nas Capitais,atividades culturais

Quando a JLeiva apresenta os resultados de sua pesquisa de hábitos culturais mais recente, a Cultura nas Capitais, e mostra que nas cidades do Nordeste o acesso a algumas atividades fica abaixo da média, é comum que alguém na plateia pergunte: isso tem alguma relação com o fato de que elas se localizam em regiões onde faz mais calor? Temperaturas mais altas inibiriam de algum modo a frequência a programas culturais?

A área cultural no Brasil não dispõe de dados tão detalhados para que se possam fazer cálculos precisos. Mas, ao que tudo indica, não, não há relação de causa e efeito entre o clima de um município e a propensão de seus moradores a irem a atividades culturais. Outros fatores – como renda, quantidade e distribuição de espaços culturais e, sobretudo, escolaridade – parecem explicar melhor os resultados.

Veja o quadro para entender melhor:

O caso dos espaços culturais de São Paulo

Outro indicativo de que o frio não é um fator importante pode ser visto no número de visitantes de alguns equipamentos culturais do estado de São Paulo. Alguns ligados à secretaria estadual de Cultura e Economia Criativa divulgam o público de suas atividades a cada trimestre.

É possível constatar que não há um padrão: os trimestres com mais visitantes variam inclusive para uma mesma instituição. Aparentemente, outros fatores, como férias escolares, atrações específicas (exposições temporárias, por exemplo), têm peso maior do que o clima.

O caso do Louvre

Um dos museus mais famosos do mundo, o Louvre, em Paris, é referência também em estudos de público. Um deles, resumido em artigo no livro O Lugar do Público (Iluminuras/Itaú Cultural, 2014), debruçou-se sobre dados de visitação de 1994 a 2005 e analisou o impacto, no público, de 105 variáveis – do preço do ingresso à cotação do dólar, da abertura de novas alas a greves de trem, de acontecimentos midiáticos a fatores climáticos (como chuva, neve e sol).

Umas das conclusões é que o fator primordial é o consumo das famílias; eventos de repercussão mundial (como os atentados às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001) também são relevantes. Mas os autores frisam que uma grande onda de calor registrada em Paris em 2003 não teve impacto no fluxo de visitantes.

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