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O que os números mostram sobre a inflação na cultura – e o que passarão a mostrar

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Ingresso de cinema tem subido mais que o IPCA; índice terá novos itens, como serviço de streaming

O IBGE anunciou neste mês que vai alterar o cálculo da inflação a partir de 2020. Em razão das mudanças nos hábitos de consumo, alguns itens vão entrar, outros vão sair. Entre os que permanecem, alguns terão peso menor, outros, peso maior. As alterações valem para aquele que é uma espécie de indicador oficial do Brasil, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como parâmetro para o Banco Central definir sua política de juros.

Os novos números ajudarão a acompanhar de modo mais preciso produtos relevantes da área cultural. O IBGE vai dispensar itens obsoletos ou pouco utilizados (como CD e DVD) e incluir os serviços de streaming (como Netflix e Spotfy). Além da variação no ingresso do cinema, já presente no índice, passarão a ser acompanhados também os preços de teatro e consertos. Os livros ficam, mas serão divididos em didáticos e não didáticos.

Mas o que a variação do IPCA tem sinalizado sobre os itens ligados à cultura até agora?

Cinema sobe mais que a inflação; livro, menos

A fórmula atual do IPCA começou a ser aplicada em 2012. Na área de cultura, os componentes do índice podem ser divididos em três:

  • Itens ainda hoje muito consumidos: cinema e livros
  • Item ainda consumido, mas de nicho: instrumentos musicais
  • Itens de tecnologia já superada: aparelho de som, aparelho de DVD, CD e DVD e locação de DVD.

Desses, só o cinema teve alta superior à inflação. De janeiro de 2012 a setembro de 2019, os ingressos tiveram reajuste de 57,1%.

Ao longo desse período, o cinema sempre subiu mais de 5% em 12 meses, e só em dois anos (2014 e 2015) num ritmo inferior ao do índice geral. Com livro, ocorreu o oposto: só em dois a variação foi maior (2017 e 2019 – até setembro). Com instrumentos musicais aconteceu o mesmo. Destaque-se que livros e cinema são justamente as atividades culturais mais acessadas pela população, como têm mostrado as seguidas pesquisas da JLeiva.

 

No terceiro grupo, todos os produtos ficaram abaixo do IPCA em todos esses anos – o preço de CDs e DVDs chegou a encolher: eles estão hoje 5,5% mais baratos que em janeiro de 2012. A exceção é o único serviço desse conjunto: locação de DVD teve salto superior à inflação em 2012 e 2017.

Como está o cenário em 2019

Pelo segundo ano nesse período, livros e cinema estão simultaneamente subindo mais que a inflação. Os ingressos para as salas acumulam alta de 5,24% (a maior em nove meses desde 2016). Em livros, a variação é de 3,96%, a mais aguda desde 2015.

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