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Sabe aquela série que todo mundo está vendo? Então, não é todo mundo

· Cultura,Pesquisas e Estudos,Cultura nas Capitais

Quem não se espantou, em Breaking Bad, com a morte de Gus Fring, dono do restaurante Los Pollos Hermanos e chefe do tráfico? Quem não se admirou ao ver temas inverossímeis de Black Mirror acontecendo na realidade? Quem não riu com o cinismo do político Frank Underwood em House of Cards? Quem não se indignou ao revisitar os escombros da corrupção brasileira em O Mecanismo? Ou não se arrepiou com as cenas quentes de Game of Thrones?

Bom, a melhor resposta para todas essas perguntas é: um monte de gente. Ao contrário do que podem dar a entender nossas bolhas na internet ou o trending topics no Twitter, não há hoje um meio capaz de aglutinar a maioria da população, a julgar pelos dados da Cultura nas Capitais, da JLeiva, maior pesquisa de hábitos culturais já realizada no Brasil.

Preferência pulverizada

Um dos trechos do questionário pergunta qual forma o entrevistado mais utiliza para ver filmes e séries e qual a segunda que mais usa. Nenhuma alcança mais da metade da amostra pesquisada.

TV por assinatura e TV aberta dividem a preferência, com pequena vantagem para a primeira. Em seguida, vêm os filmes ou as séries baixados ou exibidos na internet (o que inclui, por exemplo, YouTube e Vimeo). Sob demanda (Netflix, Now, Telecine Pay etc.) têm percentual idêntico a videocassete, DVD e Blu-Ray. Ou seja, o meio mais novo, vedete das redes sociais, empata com os já quase em extinção:

Os números do gráfico acima mostram a média dos entrevistados. Recortes mais específicos permitem verificar quais grupos preferem o quê.

Quem prefere TV por assinatura?

Em alguns perfis detectados pela pesquisa mais da metade das pessoas preferem assistir a filmes e séries em televisão a cabo. Isso ocorre, basicamente, entre jovens-adultos e adultos, algumas capitais de nível econômico mais alto, entre os mais ricos e os mais escolarizados.

E a TV aberta?

Em certo sentido, é o oposto da TV a cabo. Os grupos em que mais da metade prefere canais abertos são os mais pobres, mais idosos e menos escolarizados. A porcentagem também é elevada nas duas capitais do Norte em que foi feita pesquisa, e destaca-se nas do Nordeste.

Então as novas tecnologias ainda não dominam?

Apenas em alguns grupos. Entre adolescentes e jovens, por exemplo, mais da metade gosta de assistir a filmes e séries baixados ou exibidos na internet (lembrando: é neste item que está incluído o YouTube, febre entre os mais novos). Já os meios sob demanda (Netflix e afins) somam mais de 50% das preferências em um único caso: entrevistados da classe A.

Pode-se argumentar que, como a pesquisa foi feita em 2017, hoje os números devem ser maiores, e talvez essas plataformas já predominem em outros nichos. É possível: estamos falando de um segmento em rápida transformação. Mas convém notar que a pesquisa foi feita em grandes centros. Em municípios do interior, onde a estrutura de internet pode ser mais escassa, provavelmente tais formas são ainda menos usadas.

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