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Volta do Ministério da Cultura: veja repercussões na classe artística

· Cultura,Notícias,MinC

Se ao extinguir o Ministério da Cultura, fundindo-o com o de Educação, Michel Temer recebeu muito mais críticas que elogios na classe artística, ao recriar a Pasta a proporção não se inverteu – ao menos não na mesma medida. A julgar por declarações de atores, cineastas, produtores e outros representantes do setor, a volta do MinC foi bem recebida, mas muitos ainda mostram desconfiança. Ou porque preferem ver como se comportará o novo ministro, Marcelo Calero, ou porque consideram o governo ilegítimo.

Assim como fez quando se noticiou o fim do MinC, a JLeiva compilou entrevistas dadas por personalidades da área. No nome de cada entrevistado há o link para a matéria original em que as afirmações aparecem.
Francisco Bosco, ex-presidente da Funarte
"Eu acredito que o Calero vai operar no governo Temer como uma espécie de ilha. Vai tentar fazer uma gestão parecida com a que fez na Secretaria [de Cultura do Rio]. Foi uma boa gestão, inclusiva, e que tem a ver com a gestão [Gilberto] Gil e Juca [Ferreira]. Ele vai tentar fazer com que um campo isolado da cultura legitime um projeto que não tem nada de inclusivo, democrático, republicano. É uma espécie de simulacro você manter essas políticas dentro de um governo todo regressivo do ponto de vista de uma sociedade mais diversa e inclusiva. Os setores que defendem Calero não se importam com um ministério de orientação liberal porque vão saber fazer pressão e ganhar os dividendos. Não é à toa que são, também, os que são contra a reforma da lei Rouanet. A APTR, certamente. Mas tem um contingente de atores sociais que só se tornaram postuladores de políticas públicas com o MinC de Gil e Juca. A esses não interessa se é um ministério forte porque um de orientação liberal não os contempla.”
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Eduardo de Souza Barata, produtor teatral
“Foi uma grande vitória para a sociedade, para os profissionais de cultura e para o Brasil. O MinC é o espaço correto para as discussão e formulação de políticas públicas para o setor cultural. É o ministério que possui especialistas nas áreas de patrimônio público, em memória e em todos segmento das artes. Além de entender a preocupação em relação a um distribuição mais equilibrada de verbas para todas as regiões do País. A performance do Calero como gestor da pasta de cultura na cidade do Rio, foi de excelência.“

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Anna Muylaert, cineasta:
"Para mim, a questão principal sobre a volta do Ministério da Cultura é que tipo de MinC vai voltar. Não sei se vai ser o mesmo do Gil ou do Juca. Eles descentralizaram a Cultura no Brasil, principalmente o cinema. Fizeram um trabalho maravilhoso. A volta do ministério no governo Temer eu não sei como vai ser".

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Paula Lavigne, produtora
A recriação do Ministério da Cultura é uma vitória. O MinC não pertence a nenhum governo para ser ‘tirado’ e ‘colocado’ a qualquer momento. Foi forte a pressão, conseguimos a volta do Ministério da Cultura, agora precisamos mostrar o nosso valor. Precisamos reconstruir a imagem da cultura. Não somos um ônus, um custo desnecessário para o Estado. Somos geradores de empregos diretos e indiretos, pagamos impostos, participamos para a riqueza do país, não só da ‘imaterial’, mas principalmente da material. A indústria criativa não pode ser tratada como coisa de ‘vagabundos que mamam nas tetas do governo’.”
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Vicente Amorim, cineasta:
"A volta do Ministério da Cultura mostra a importância e a força da mobilização. Agora, não adianta voltar um MinC decorativo, sem orçamento e sem continuidade e aprofundamento dos programas. Se voltar com o peso que tem que ter, aí sim, teremos tido uma vitória".
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Camila Pitanga, atriz
"Diante da minha posição de julgar ilegítimo o todo desse governo, prefiro não me apegar à parte (MinC), que, sabemos, só existe como ministério por pressão. Os que consideraram dialogar com o esse governo legitimam algo em que não acredito. Não concordo".

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Carlos Gradim, diretor presidente do Museu de Arte do Rio (Mar)\r\n\r\n“É uma grande vitória. Com todas as questões e dificuldades que a gente vive, não dá para se negar a importância desse ministério. Até porque não dá para não olhar para a cultura como algo que transforma, que faz de um país e de um povo muito mais interessante”.
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Gregorio Duvivier, humorista do Porta dos Fundos\r\n\r\n"A legitimidade desse Ministério da Cultura é a mesma do governo do qual ele faz parte: nenhuma. Temer erra se acha que vai comprar o apoio da classe artística ressuscitando o MinC. Não à toa seu convite para o ministério foi recusado por todo e qualquer representante da classe. Esse governo é uma farsa e a existência de um Ministério da Cultura não o torna mais legítimo"
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José Padilha, cineasta
“A cultura, no mundo inteiro, é apoiada pelo Estado. Na Inglaterra, na França, na Alemanha etc. O cinema americano, por exemplo, recebe infinitamente mais incentivos fiscais do que o cinema brasileiro. De modo que a ideia de que existe no Brasil uma ‘farra’ de artistas feita com incentivos fiscais, e que isso é uma distorção em relação ao resto do mundo, é uma ideia que não corresponde aos fatos. Isto posto, o que me parece realmente importante é saber qual será a política cultural do pais, quanto do orçamento da União será alocado para a sua consecução, com base em que critérios e mecanismos será feita a alocação dos recursos disponíveis, e quem irá fiscalizar os produtores culturais que receberem estes recursos. A cultura precisa da organização mais inteligente, enxuta e eficiente possível para formular esta política e levá-la a cabo. O nome desta organização não me parece ser o mais importante.”
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Andréa Beltrão, atriz
“Eu acho que o melhor a fazer é não legitimar esse governo que está aí. Eu não aceito essa troca. Essas pessoas que estão lá não me representam."

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Carla Camurati, cineasta
Em entrevista ao Blog do Planalto, ela disse que Marcelo Calero vai fazer “um trabalho que o MinC e o País precisam”. A gente tem uma pessoa que gosta de cultura, tem um posicionamento claro, direto, transparente dentro das suas ações. Trabalho com o Marcelo já há algum tempo e é impressionante a clareza que ele tem quando coloca o que ele quer colocar ou quando a gente discute os problemas.”
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Odilon Wagner, vice-presidente da Associação de Produtores Independentes
Diz que o retorno do ministério é “um ato simbólico muito importante” e elogiou Caleo. “Além da competência, que já demonstrou no Rio de Janeiro, ele é uma pessoa com uma visão bastante ampla do mercado cultural, do mundo cultural, fala bem com todos os segmentos da cultura. E vai ser importante principalmente porque esse perfil de personalidade, formação dele como bom dialogador, vai trazer muito benefício para o campo da cultura.”

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Eduardo Saron, diretor-geral do instituto Itaú Cultural:
"Eu acho um grande feito a volta do Ministério da Cultura. De qualquer forma, o (Marcelo) aceitou uma tarefa difícil e o Temer resolveu voltar atrás. Foi uma medida inteligente, até para não ficar nessa briga desnecessária".

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Luciana Muniz, presidente da Associação de Servidores da Biblioteca Nacional
"Dialogar não significa apoiar, significa abrir espaço para entender o que está acontecendo e que caminhos esse ministério vai tomar. Estamos num processo de encontrar consenso, mas seremos críticos, como éramos no governo Dilma, e vamos permanecer nas nossas pautas."

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